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"Ubuntu": de Grada Kilomba a Paulo Kapela no Palácio de Tokyo

Arte & Cultura
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A exposição "Ubuntu, um sonho lúcido" patente no Palácio de Tokyo, em Paris, até este domingo, 20 de Fevereiro, propõe-nos descobrir o significado do termo Ubuntu. Um espaço ainda pouco frequentado pela nossa imaginação e conhecimento e complexo para traduzir noutras línguas.

O significado de Ubuntu vem das línguas bantu, na África austral, e combina as noções de humanidade, colectivo e hospitalidade, podendo ser interpretado como: "Eu sou porque nós somos".

A exigência de “humanidade na reciprocidade” convocado pelo pensamento Ubuntu é uma das contribuições essenciais das filosofias africanas ainda pouco conhecida. Esse conceito, em dimensões filosóficas e espirituais, é talvez considerada uma das poucas características africanas a terem sobrevivido aos seiscentos anos de escravidão, colonialismo e imperialismo de todos os tipos, que desestabilizaram as sociedades.

O pensamento Ubuntu persiste na concepção do lugar do indivíduo na sua comunidade, mas também nas ligações entre povos, estruturando uma consciência e uma visão do mundo na interdependência do relacionamento.

Essa noção tem irrigado o pensamento dos movimentos de Libertação nas experiências pós-coloniais africanas dos anos 1960, alimentando, por exemplo, as aspirações na construção de um socialismo africano ou à ideia de um pan-africanismo político.

Este pensamento nasce de produções literárias e poéticas contemporâneas do continente e nas diásporas, de Aimé Césaire a Vumbi-Yoka Mudimbé, Edouard Glissant, Alain Mabanckou, Yanick Lahens ou Léonora Miano, entre muitos outros. O Ubuntu simboliza a relação entre todos os homens, popularizado por Nelson Mandela para retratar um ideal da sociedade contra a segregação durante o Apartheid e para promover a reconciliação nacional na África do Sul.

É neste pensamentos que somos levados a descobrir duas obras do artista angolano Paulo Kapela, a trilogia de filmes apresentado pela primeira vez na França de Grada Kilomba, intitulado "Um Mundo de Ilusões" ou ainda o trabalho do artista brasileiro Maxwell Alexandre, que pinta corpos negros em cubos brancos. Tantos corpos de crianças, como adultos que ocupam o espaço central das suas obras.

Paulo Kapela

O galerista de Paulo Kapela, Dominick Tanner do “ELA-Espaço Luanda Arte, lembra que o facto do artista angolano estar exposto no Palácio de Tokyo, "mais do que um motivo de orgulho é um motivo de justiça".

"Estamos a falar de um dos pais da arte contemporânea angolana e um dos mais importantes pan-africanos. Se não fosse o Kapela teríamos uma arte contemporânea muito mais pobre porque ele começou, com outros artistas o movimento dos nacionalistas", afirma Dominick Tanner. O artista plástico angolano Paulo Kapela morreu em 2020.

"Sarah Maldoror: tricontinental cinema"

Esta é a primeira retrospectiva dedicada à obra de Sarah Maldoror, que nos deixou em 2020. Uma oportunidade para descobrir a obra cinematográfica, mas também teatral, poética e política de um cineasta com uma produção abundante, alternando ficção e documentário, ao serviço de um cinema revolucionário irreverente.

"Uma exposição merecidíssima", afirma o galerista Dominick Tanner do “ELA-Espaço Luanda Arte. "É a rainha do cinema africano e, sobretudo, uma campeã da independência dos países africanos. Sarah Maldoro foi casada com Mário Pinto de Andrada, tem filhas angolanas, isto deveria ser celebrado em Angola, mas tudo a seu tempo", conta Dominick Tanner.

Considerada pioneira do cinema africano engajada nas lutas de libertação dos países da África lusófona (Angola e Guiné-Bissau), com forte ligação aos poetas do Caribe francófono Césaire , Damas , Escorregadio, Sarah Maldoror desafiou as fronteiras geográficas e de género.

Grada Kilomba

Qual é o peso da história e de que forma deve ser classificado como “Outro” em sociedades onde ser branco é a norma? Como ser foco de atenção depois de ter sido marginalizado? Como contar o que foi silenciado? Estes são algumas questões levantadas na obra artística de Grada Kilomba.

Na obra Um Mundo de Ilusões, uma trilogia de filmes apresentado pela primeira vez em Paris, Grada Kilomba inspira-se mas personagens da mitologia grega: Narciso, Édipo e Antígona, partindo da história colonial para dar corpo, voz e forma à sua narrativa. É através de um dispositivo subversivo e poético que Grada nos lê contos clássicos, nos quais ecoam questões políticas dos nossos tempos. A artista convida-nos a pensar em novas concepções de poder e saber.

Maxwell Alexandre - New Power

No Palácio de Tokyo, Maxwell Alexandre pinta corpos negros em cubos brancos. Tantos corpos de crianças ou adultos, centro da obra do artista brasileiro. As personagens viram-nos as costas enquanto desviam o olhar de uma história da arte centrada na Europa.

No seu trabalho ressaltam elementos e tradições da cultura popular, como uma ode à resistência cultural, estética da cultura dos bairros. O artista brasileiro reúne ritmos do Hip Hop que ecoam com as tensões políticas do seu país.

Khanya Mashabela

Nascido em 1993, em Joanesburgo, África do Sul, Khanya Mashabela vive e trabalha na Cidade do Cabo. Foi convidada por Kudzanai Chiurai para criar uma "biblioteca de coisas das quais nos esquecemos de lembrar”.

Muitas vezes esquecidos; o pan-africanismo ou a história da resistência colonial em África. A artista reúne sons, textos e imagens, selecção de arquivos, destacando o papel da unidade e da divisão cultural. Khanya Mashabela é historiadora de arte, crítica de arte, poeta, também curadora na Fundação Norval na Cidade do Cabo.

Artistas expostos na "biblioteca de coisas das quais nos esquecemos de lembrar”: Jabulani Dhlamini (1983), Teresa Firmino (1993), Nonzuzo Gxekwa (1981), Paulo Kapela (1947-2020), David Nthubu Koloane (1938-2019), Lady Skollie (1987), Sam Nhlengethwa (1955), Thenjiwe Niki Nkozi (1980), Lunga Ntila (1990), João Renato Orecchia Zúñiga (1977), Pamela Phatsimo Sunstrum (1980), Roy Potterill (1982), Mankebe Seakgoe (1998), Berni Searle (1964), Motsamai Thabane (1981) e Kara Walker (1969).

 

 


Fonte:da Redação e da rfi
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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